quinta-feira, 5 de julho de 2012

São Gilberto de Sempringham e a virtude da humildade

           

            Deus resiste aos soberbos. Para que possamos viver segundo o coração de Deus faz-se necessário um esvaziamento de toda nossa autossuficiência. Esvaziar-se de si mesmo para poder compreender na prática da vida o dom do amor. Essa manifestação da humildade leva a servir com alegria e generosidade, pois humildade significa "filhos da terra".
            Nenhum santo pode tornar-se santo sem esta forte experiência: a humildade. É preciso ter humildade para servir; é preciso humildade para aprender a lavar os pés do outro; é preciso humildade para poder ajustar e situar-se em relação ao outro. A humildade nos reaproxima do semelhante, determina a qualidade de nossa relação e abrevia-nos o caminho de encontro com o Senhor presente na vida do nosso irmão. A humildade é a qualidade do servo.
             São Gilberto tinha como uma de suas grandes virtudes a humildade, porque a humildade o conduziu por uma via e uma regra de vida que estabeleceu para ele em sua vida parâmetros que aos olhos meramente naturais não conseguem penetrar o mais profundo do coração e do seu desejo de estar livre simplesmente para poder proclamar que a ternura de Deus é o estímulo contínuo que conduz à humilhação.
             Em sua vida muitas vezes, contará ele mais tarde aos seus religiosos, era colocado de lado das relações com os outros, muitas vezes ele foi mesmo até ridicularizado pelos empregados de seu pai. Mas os humildes tem a capacidade de ver tudo como um dom. Os humildes sabem e esperam ser libertados pela Palavra de Deus e, alcançam assim a perfeição evangélica e o centro da sua vida espiritual.
             A humildade de São Gilberto tornou-se uma fonte inesgotável de todas as graças do alto que o levou a ter um amor preferencial pelos pequenos, pobres, destituídos de quaisquer vantagens humanas de seu tempo, porque à imagem do aniquilamento de Jesus em favor de nossa miséria, São Gilberto foi um provocador de situações que levaram à contradizer os valores impostos que anulam a pessoa em sua integridade.
             Sem o espírito de humildade é impossível alguém aderir ao amor de Deus porque ele próprio esvaziou-se de sua divindade para tornar-se um como nós. Sem essa verdade que o próprio Cristo aponta é impossível viver a humildade, porque o humilde tem a coragem e a capacidade de reconher seus próprios erros, defeitos e limitações.
              São Gilberto tinha essa coragem. E enfrentou a sua verdade apontando par a sua realidade para poder revestir-se do bem. É neste momento em que se aplica na verdade de suas ações o não pagar o mal com o mal, mas paga-se o mal com o bem. Vence-se a si mesmo porque o sentido da vida do homem é o servir e amar.
             Sempringham foi uma escola de vida de humildade em que São Gilberto foi educado e ao tornar-se um coração compassivo pode buscar o vínculo da perfeição que nos é garantido pelo revestimento dos mesmos sentimentos de Cristo: servir e não ser servido.
              O maior modelo de humildade nos é apontado em Jesus e Jesus foi o único Senhor da vida de São Gilberto.

São Gilberto zeloso pelas cosias de Deus

          

           Toda santidade de vida é um mergulho ao mais profundo encontro com o amor de Deus. Sem este encontro é impossível ao homem poder entender o grande projeto de Deus para a sua vida e sua história.
            O zelo pelas coisas de Deus é um empenho fervoroso para que aocnteça um pleno deenvolvimento da capacidade humana em responder ao chamado de seu criador de se tornar a cada dia um reflexo de sua imagem e semelhança e, na leitura dos sinais do tempo, desejar a realização da sua felicidade em vista do eterno. Assim, o zelo é o cuidado que se deve ter no trato das coisas de Deus e nas coisas que nos tornam irmãos naquele que é a revelação total de seu amor por todos nós.
            São Gilberto de Sempringham pôde experimentar toda a plenitude dessa verdade quando buscava perceber nas delicadezas das coisas a ação do amor de Deus.
            Certa vez quando estava na casa de um paroquiano percebeu que havia algo que estava incomodando sua consciência de servir a Deus com maior alegria e tranquilidade por causa de afetos humanos, logo pediu para sair dali e foi morar num pequeno alojamento atrás da igreja de Santo André. Isto demonstra claramente a sua maturidade de vida despertando-o para que aquilo que é o essencial à sua vida pudesse prevalecer.
            O zelo é um amor ardente que brota do fundo do coraçaõ. É uma espécie de chama que aquece o agir humano manifestando a plenitude do amor e da dedicação ao outro. É este zelo que o impulsionou a despertar que a busca de realização meramente humana pode acontecer de deixar de lado a escolha certa que se deve orientar a mente e o coração para responder em relação ao Reino de Cristo.
            Pelo zelo se busca mais um senso de responsabilidade e responsabilidade é dar uma resposta ao outro, é uma manifestação da caridade para com o próximo.
            São Gilberto compreendeu isto muito bem em sua vida como declara o próprio apóstolo São Paulo que a caridade nos leva ao zelo de todo gênero e no afeto (cf 2Cor 8,6-8). Para alcançar o zelo é necessário ter disponibilidade, é estar atento ao menor dos acontecimentos em sua vida e na vida daqueles ao redor, às necessidades dos outros.
            Nisto se destacou São Gilberto no seu zelo para com as coisas de Deus e de seus filhos e filhas acolhidos com a grande preocupação para a vida de santidade que buscava sustentar em cada uma das suas comunidades. Ter zelo é deixar ser consumido pela missão como a vela que se consome no altar de Deus.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Oração a São Gilberto de Sempringham em favor dos desesperados



"Oh, São Gilberto de Sempringham, tu que tiveste uma plena confiança no amor de Deus e, jamais duvidaste de sua infinita compaixão, nós te pedimos humildemente que nos alcance junto de nosso Pai amoroso toda a sorte de bênçãos para os que perderam a esperança e a confiança em Deus diante das dificuldades de suas vidas.
Suscitai no coração de todos os que no desespero abandonam a fé, negam o amor de Cristo, duvidam de suas graças e, sobretudo, não voltam o seu olhar para a misericórdia de Deus, que é nosso Pai.
São Gilberto, tu que abandonaste totalmente nos braços de Deus para que nele pudesses encontrar o abrigo e o consolo para tua alma nos momentos de maior tribulção, concedei, nós te pedimos, a tua intercessão em favor neste momento de todos os que estão no extremo de suas vidas, na angústia profunda, na dor aterradora, na incerteza avassaladora, no coração apertado e saturado de dores, no sentimento mais medonho que possa existir, a força da tua intercessão para a libertação dos nossos irmãos em seu desespero.
São Gilberto de Sempringham, intercedei por (dizer o nome de alguém que se encontra no desespero). Amém".


Olhe para a Cruz: eis a tua vitória!

O dom do silêncio em São Gilberto

              

            Muitas coisas que acontecem em nossas vidas não as podemos compreender apenas com a razão e lógica humanas. Como no Evangelho, muitas vezes somos atribulados pelas ondas enormes que parecem que vão nos sufocar e não teremos força o suficiente para poder superar todos os obstáculos que nos invadem a alma e a angústia nos entorpece. Será que estamos sozinhos? Será que fomos abandonados?
              Nestes momentos angustiantes que nos assaltam devemos ter a firma esperança e certeza da onipresença de Deus. E para que isso possa acontecer em nós precisamos da graça do dom do silêncio.
              Falamos muito porque pensamos muito. Nos é difícil silenciar. Parece até que a nossa oração seja ouvida por Deus no muito falar de nossas palavras. O próprio Jesus nos ensina a orar no silêncio de nosso quarto, porque o Pai sabe do que nós precisamos. "O silêncio é, mais eloquente do que os discursos", nos diz um provérbio árabe. O silêncio nos torna mansos e humildes, porque, por meio dele aprendemos a ouvir com maior facilidade a voz de Deus.
             São Gilberto foi um homem do silêncio. Soube silenciar diante dos acontecimentos de sua vida e das suas adversidades. Silenciar é a capacidade de calar-se, mas é também omitir. Calar-se diante de Deus, aprender a ouvir, a perceber os sussurros de Deus como na brisa suave de Elias. Para poder fazer esta experiência é urgente omitir, ou seja, descuidar-se de fazer minha própria vontade. Por meio do silêncio ficamos cheios de um amor incondicional. O silêncio leva-nos a amar.
              Por isso, o silêncio é um dom que nos aproxima mais da vontade de Deus e nos afasta mais de nós mesmos e de nossas manias, nossa prepotência humana. Quem consegue guardar o silêncio diante das coisas e dos acontecimentos pode vislumbrar melhor o poder de Deus que vem em nosso socorro e nos defende.
              O silêncio é uma atitude humana fundamental, capaz de expressar as mais diversas situações interiores. Não se trata de uma simples negação da comunicação, mas de um elemento essencial a ela, pois a comunicação não pode dar-se sem a síntese da palavra e do silêncio. A falta deste equilíbrio gera um barulho que entorpece e não aponta nenhuma direção. 
              Foram exatamente estas as experiências profundas do amor de Deus que São Gilberto vivenciou no sua abandono total à santa vontade do Senhor em sua vida. O dom do silêncio nos liberta das nossas próprias seguranças, pois nos convida a mantermos fixos os nossos olhos nas mãos do Senhor porque nos caminhos desta vida é ela que nos acompanha e dirige o nosso caminhar.
               Que São Gilberto de Sempringham, amigo do silêncio nos ajude nesse silenciar a nossa voz, o nosso ouvido e, principalmente, o nosso coração.


               

sábado, 30 de junho de 2012

A amizade entre almas que amam a Deus é um estímulo fortíssimo à perfeição

          


           “A amizade entre esses dois santos constitui um aspecto muito bonito e importante. De fato, quando duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor por Deus se encontram, elas adquirem da recíproca amizade um estímulo fortíssimo para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura”, declarou o Santo Padre Papa Bento XVI na audiência geral no Vaticano em 15 de setembro de 2011, ao falar da amizade e do amor que existia entre São Francisco de Assis e Santa Clara de Assis.
             A beleza e a verdade do encontro de almas livres que compreendem que o mandamento novo do amor é algo que eleva todos os sentimentos ao mais puro e verdadeiro que é capaz de suscitar uma renovação de todos os comportamentos humanos, oferecendo uma energia que contagia e atinge a todos os que estão ao redor. Os santos são os grandes benfeitores da humanidade, ainda afirma o santo Padre.
              Desta forma podemos ver e compreender a beleza da vida e amizade de São Gilberto com vários santos de seu tempo. Foi uma amizade profunda com São Thomas Becket, arcebispo que perseguido pelo rei foi protegido nas casas da ordem gilbertina e acompanhado com segurança por um de seus monges, o diácono, também santo Avertino que conduziu o arcebispo até a França.
              Vemos a amizade e o amor que elevou a alma de ambos santos Gilberto e Elredo, o autor de um belíssimo tratado sobre o valor da amizade comparada com um amor que ultrapassa toda humana capacidade de compreensão, uma atitude que liberta e cura de todos os temores e fundamenta a relação humana no amor entranhado de nosso Deus.
              São Gilberto ainda foi grande amigo de São Bernardo de Claraval com quem passou mais de um ano em Citeaux para juntos resolverem a questão das casas de São Gilberto e a vida de seus religiosos. Quanta amizade e amor não os nutriu a olharem juntos à luz do Espírito Santo para essa grande obra que Deus suscita em seu coração. Como não teriam sido as conversas e debates de ambos vislumbrando toda a bondade e ternura de Deus em favor de seu reino através da ordem de Sempringham.
             Certamente foram momentos intensos de oração, partilha, diálogo e, sobretudo, de confiança e amor de um para com o outro para que juntos chegassem a decisão em favor dos desígnios salvíficos do Senhor para o povo inglês.
             Neste tempo ainda na França, São Gilberto pode conviver com o grande arcebispo de Armagh, na Irlanda, São Malaquias, grande apóstolo da fé nas terras irlandesas. Como não teriam sido esses encontros que mantiveram os dois reunidos no amor de Cristo!
              Finalmente como não mencionar o encontro com o beato Papa Eugênio III... Como não teriam acontecido seus encontros e, principalmente os momentos de vida em comum que puderam manter. É Deus que no seu amor para com os santos prepara uma experiência do céu ainda na terra para que homens comuns possam superar a si mesmos e vislumbrarem o reino de Deus em seus corações totalmente voltados para as coisas celestes.
             São momentos tão fortes que todos se tornam tão íntimos do Senhor que toca os seus corações para uma alegria que ultrapassa toda a dimensão do ser humano enquanto criatura perfeita de Deus. São os santos que mudam o mundo para o melhor, transformando os de modo duradouro.
             São os santos que nos ensinam que o mandamento do amor é realidade humana quando somos capazes de superarmos os afetos humanos que somente nos escravizam.


São Gilberto de Sempringham



São Bernardo de Claraval


São Thomas Becket



Santo Elrede de Rievaux



São Malaquias de Armagh



Beato Papa Eugênio III





sexta-feira, 29 de junho de 2012

Santuário das Velas em honra de São Gilberto: convite a meditar












"Ó glorioso São Gilberto de Sempringham,
fostes um homem completamente apaixonado pela paz;
contemplando através deste santuário,
queremos chegar ao coração daquele que é o príncipe da paz:
Jesus Cristo, o Bom Pastor e Pão da Vida,
a quem servistes com todas as tuas forças,
com todo o teu entendimento e com todo o teu coração.
Louvamos e bendizemos a Deus,
porque ao te chamar,
fostes revigorado com a plenitude do Espírito Santo
para que amasses a Igreja e por ela consumisse tua vida.
Por isso, hoje sois como uma luz que alumia os nossos dias,
dando-nos a certeza de que não estamos sozinhos.
Sim, o Senhor, caminha conosco, como outrora caminhou ao lado dos
discípulos de Emaús e lhes aquecia o coração.
Intercedei por nós, ó glorioso confessor da fé
para que posamos responder sempre com alegria e disponibilidade
a tudo aquilo que o Senhor quer que nós façamos.
São Gilberto de Sempringham,
rogai por todos nós, para que,
batizados e redimidos em Cristo,
tenhamos sempre o desejo de o amar e testemunhar
em todos os ambientes em que nos encontramos.
Qua a Palavra de Deus seja como uma lâmpada
capaz de iluminar até aqueles lugares que nós
 não conseguimos atingir. Amém"!




Catedral de Lincoln, sede da diocese onde São Gilberto serviu como padre



Vista aérea da Catedral de Lincoln


São Gilberto e a sua fidelidade

          

            São Gilberto foi um homem que durante sua vida foi duramente perseguido, primeiro dentro de sua casa, por seu pai que não aceitava suas limitações físicas que o impediam de ser, a exemplo dele, um cavaleiro; depois, pelos empregados de suas terras, que muitas vezes o ridicularizavam diante de sua debilidade, e, finalmente, depois de ter fundado a sua Ordem, quando dois irmaõs religiosos se voltaram contra ele, denunciando-o ao Papa e ao Rei da Inglaterra. Foram calúnias, que por inveja da santidade de São Gilberto o fizeram entrar no sofrimento e um sofrimento no silêncio.
            São sinais de martírio em sua vida. Dar a vida pelo Cristo urge necessariamente entrar no martírio, muitas vezes, não pelo derramamento de sangue, mas no coração que sofre pelas injúrias, fofocas e calúnias que procuram desmoralizar uma obra. O martírio é uma condição necessária para quem quer seguir a Cristo mais de perto.
            São Gilberto experimentou em sua vida o drama de tantos sofrimentos mas, nunca diante das mais absurdas situações, perdeu sua fé e esperança no Senhor a quem serviu com maior fidelidade.
            Sua fidelidade à Cristo e ao seu chamado o tornaram um grande homem e um homem grande em sua virtude, abnegação, compromisso evangélico, pobreza e, sobretudo, seu amor incondicional a Jesus Cristo e à sua Igreja. Seu martírio foi uma conquista a cada dia em que renovava junto à Eucaristia.
            Não se pode ser fiel ao Senhor sem abraçar a cruz e entrar pela porta estreita, vencendo a si mesmo e a tudo aquilo que quer tornar mais largo e espaçoso o caminho que leva ao Senhor. Não é possível entrar na vida plena sem passar pela morte a cada momento para as realidades visíveis que são passageiras e inconstantes. Só é possível responder com fidelidade abraçando a cruz de Jesus Cristo em nossa cruz. 
            Que todos os santos mártires possam interceder por nós para que sejamos perseverantes no seguimento ao Senhor da vida.